
O projeto foi reestruturado algumas vezes até chegarmos ao formato para Internet. A partir daí, decidimos que O uniforme azul não seria simplesmente uma HQ na web, mas usaríamos alguma especificidade do suporte (no caso, a rolagem vertical) para contar uma história em uma única imagem contínua. A leitura deveria ser rápida e, por isso, todo o texto (exceto por uma breve introdução) foi cortado. Assim, seriam as imagens, e não o mais o texto, as responsáveis por estabelecer o paralelo entre os atos de costurar, de um lado, as camisas e, de outro, as jogadas.
Para chamar a atenção para a cor do uniforme do título, criamos um visual quase monocromático, numa narrativa gráfica que se desenvolve sobre um grande tecido azul. As linhas traçadas pelo alfaiate com giz branco vão formando, gradativamente, as imagens do jogo, enquanto suas mãos recebem um pesado contorno preto que o diferencia das outras cenas. Fotografei meu pai como modelo para o desenho das mãos que riscam, cortam e costuram, num set improvisado, simulando a tábua da alfaiataria com a mesa da sala da minha casa. O tecido fotografado foi usado como textura depois de tonalizado. Todas as imagens desenhadas foram digitalizadas, tratadas, “coloridas” e montadas no Adobe Photoshop CS3.

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