na catraca

7.08.2011

hq para revista status


Todas as seis páginas de HQ desenvolvidas para a estreia da seção HQ Status (da revista homônima "despida de ingenuidade e coberta de inteligência" que está nas bancas neste mês). Além dessas, fiz também uma espécie de "capa", na página ímpar que abre a matéria.

A ideia (segundo o Cacá - o editor Carlos Sambrana) era contar, na edição de julho, de uma forma diferente, nova, "surpreendente", uma história já amplamente divulgada pela mídia no mundo inteiro durante o mês anterior, em especial na França (onde o acusado era o favorito do partido socialista para as próximas eleições contra Nicolas Sarkozy) e nos EUA (onde o caso aconteceu). Trata-se da história de Dominique Strauss-Kahn, ex-chefão do FMI, preso em maio, acusado de ter abusado sexualmente de uma camareira no hotel onde se hospedara em Nova York. A opinião pública não hesitou em julgá-lo culpado até que se provasse inocente.

Nossa história é uma ficção baseada nesses fatos, que acaba bem pra o atual presidente francês declamando um texto que, nas entrelinhas (e nas palavras do Bruno Weis), equivale a "me dei bem e ainda tô comendo a Carla Bruni". Mas a história real não acabou por aí. Desde a publicação da revista, algumas reviravoltas comprometeram a credibilidade da vítima. Agora, a mídia e os formadores de opinião reavaliam o problema do pré-julgamento que fizeram do acusado, enquanto Dominique parece ganhar novo fôlego para as prévias das próximas eleições na França. Não que eu prefira Sarkozy (muito menos Marine Le Pen), mas nada poderia ser mais suspeito, quando há tanto dinheiro e poder envolvidos no processo.












revista Status | roteiro Bruno Weis | ilustração Olavo Costa | design Evelyn Leine

Quem me chamou pra ilustrar a história foi a Evelyn Leine, designer que conheci no Curso Abril no ano passado, enquanto ela ainda trabalhava para a Bravo. Agora, está usando o seu talento para dar cara nova à recém-relançada revista Status, da editora Três. E quem escreveu o roteiro foi o Bruno Weis, repórter que fez toda a apuração do caso e elegeu as cenas que mostraríamos na HQ. Juntos, dividimos as cenas em quadros e, a partir daí, ele fechou o texto final. Talvez haja algumas pequenas diferenças entre a versão do texto publicada por aqui e o texto revisado, publicado na revista.

Decidimos explicitar graficamente a divisão do tempo presente em preto e branco e tons de cinza(com DSK na prisão e "enfrentando" a repercussão do caso), e do passado, em duas cores (preto e magenta), além de uma fantasia do narrador (DSK) como presidente da França, também em magenta, mas sem o preto chapado puro. Trabalhei com canetas nanquim descartáveis (quase tudo 0.05, já que não dava tempo de fazer com bico de pena) e para as áreas chapadas uma posca preta pc 8k. No Photoshop, apliquei em uma camada separada, em modo multiplicação, as sombras em escala de cinza, algumas delas transformadas em retícula (aplicada somente no canal do preto); e, em outra, o "magenta" (que não é exatamente magenta, pra não ficar tão claro e saturado) aplicado com uns pincéis especiais.

Espero que tenham gostado!

10.06.2010

experimento narrativo | le samouraï

Experimento narrativo, baseado em uma sequência do filme "Le Samouraï" (1967) de Jean-Pierre Melville, com Alain Delon, fazendo o papel de Jeff Costello.
A brincadeira resultou nessas seis páginas de quadrinhos. le samouraï  |  pg 01 le samouraï  |  pg 02 le samouraï  |  pg 03 le samouraï  |  pg 04 le samouraï  |  pg 05 le samouraï  |  pg 06
A sequência continua no filme, e pode ser vista no YouTube, mas para mim, acaba por aqui.
Na versão cinematográfica, é muito legal quando os planos são entrecortados pelos trens que chegam e partem da estação, fazendo um barulhão e confundindo o espectador num certo momento (que estaria, na HQ, na virada da página 4 pra página 5), criando um suspense bem bacana. No entanto, em quadrinhos, achei que as onomatopeias acabavam por tirar todo o clima de suspense da sequência (trocando um quê de film noir por um quê de comics da mais duvidosa qualidade). Acabei achando que o desenho por si só já era suficientemente capaz de representar as cenas barulhentas, sem fugir da atmosfera que eu queria...
Peço desculpas pelos possíveis (e prováveis) erros em francês e espero que tenham curtido!

7.05.2010

O primeiro caneco!

Em suas pesquisas sobre a história das Copas do Mundo, Pedro Felicio descobriu um fato interessante sobre as camisas usadas pela seleção brasileira na final do campeonato conquistado na Suécia: que elas haviam sido encomendadas e costuradas dias antes da grande final, já que a anfitriã finalista jogaria de amarelo.

A princípio, pensamos em contar uma história em quadrinhos cujo texto traçasse um paralelo entre a costura das camisas, pelo alfaiate, e a costura das jogadas em campo, pela seleção. Aliás, a própria palavra “texto” vem de “tecer” e está também intimamente ligada, desde a construção da ideia até sua composição tipográfica à ideia de costurar. Uma história que “daria pano pra manga”, e já viria cheia de frases feitas, especialmente por se tratar de uma seleção que “não dava ponto sem nó”.

O projeto foi reestruturado algumas vezes até chegarmos ao formato para Internet. A partir daí, decidimos que O uniforme azul não seria simplesmente uma HQ na web, mas usaríamos alguma especificidade do suporte (no caso, a rolagem vertical) para contar uma história em uma única imagem contínua. A leitura deveria ser rápida e, por isso, todo o texto (exceto por uma breve introdução) foi cortado. Assim, seriam as imagens, e não o mais o texto, as responsáveis por estabelecer o paralelo entre os atos de costurar, de um lado, as camisas e, de outro, as jogadas.

Para chamar a atenção para a cor do uniforme do título, criamos um visual quase monocromático, numa narrativa gráfica que se desenvolve sobre um grande tecido azul. As linhas traçadas pelo alfaiate com giz branco vão formando, gradativamente, as imagens do jogo, enquanto suas mãos recebem um pesado contorno preto que o diferencia das outras cenas. Fotografei meu pai como modelo para o desenho das mãos que riscam, cortam e costuram, num set improvisado, simulando a tábua da alfaiataria com a mesa da sala da minha casa. O tecido fotografado foi usado como textura depois de tonalizado. Todas as imagens desenhadas foram digitalizadas, tratadas, “coloridas” e montadas no Adobe Photoshop CS3.


Os 5 Canecos

6.30.2010

O pentacampeão

O Caneco de 2002 Esse caneco não tem muito tempo... aconteceu no dia 30 de junho (hoje), há oito anos!

Olhando a foto ao lado, é engraçado pensar que os desenhos dessa história online ocupam quase toda a largura da minha sala!

Foram 14 páginas desenhadas na proporção exata. Optei por fazer tudo em papel canson de gramatura 300 e nanquim. O processo de construção foi muito parecido com o do Caneco de 62, já que desenhei e escrevi as duas histórias praticamente ao mesmo tempo.

A história foi muito influenciada por um outro roteiro que estou escrevendo (surpresa!) e por coisas que tenho pensado ultimamente sobre o meu trabalho. O roteiro foi construído a partir de algumas perguntas: Até onde estamos dispostos a ir por nossos sonhos? Até onde EU estou disposto a ir? Mais pessoas tem disposição para seguir esse caminho até o fim? Qual é o preço?

Todos temos sonhos: o quadrinista, o estudante, o craque do futebol. Isso é comum a todos e, ironicamente, acaba sendo o que nos une e o que nos separa.

Algumas coisas são pessoais, mas para mim, é claro que não tem volta. Amo demais quadrinhos. Agora, é até o fim!
Making-of 2 - O Caneco de 2002
Making-of 3 - O Caneco de 2002
Os 5 Canecos

6.17.2010

Conquistando o Caneco de 62

O Caneco de 62 Há quarenta e oito anos o Brasil levava o segundo caneco.

A Copa de 62 foi bastante controversa, arbitragens "esquisitas", regras não muito claras - Garrincha foi absolvido de uma expulsão para poder jogar a final! Sem Pelé, que se contundiu no jogo contra a Tchecoeslováquia e ficou fora da Copa, coube ao "Mané" a responsabilidade de ser a estrela do time. E ele não fez feio, simplesmente demoliu os adversários do Brasil!

Sua habilidade era tão incrível que jornais de diversas parte do mundo afirmavam que ele só podia ser um alienígena pra fazer todas aquelas coisas com a bola (quem colocou na mesa de reunião esse fato foi o Sr Pedro Felicio). Foi desse ponto que parti para a concepção da história que escrevi e desenhei para o 5 Canecos, "De outro Planeta".

O ROTEIRO

Apesar da história pessoal do Garrincha ser incrível e da trajetória do Brasil na Copa de 62 render muitas histórias, o que mais me atraiu foi poder falar do Garrincha e da seleção sob outro ângulo: a visão de alguém que não gosta dele, alguém que, em última análise, inveja o Mané.

Contar a história de um homem que esconde com argumentos absurdos (no caso, Garrincha ser um ET) sua própria incompetência e sonhos não realizados e, ao mesmo tempo, conectar isso com o fato histórico, a Copa de 62, foi um desafio. Esse é o mote principal de "De outro Planeta": a história de um homem que fracassou consigo mesmo.

Os "5 canecos" é uma parceria com o Abril.com, um portal onde vários tipos de pessoas circulam, buscando todo tipo de notícia. Mesmo conhecendo a "alma" da história, é importante manter o foco no leitor. Ele precisa entender o roteiro. Gosto de escrever histórias para todo mundo, do mais fanático ao que está pegando um quadrinho pela primeira vez. Por isso, é importante tornar a história interessante pois, se o leitor não conseguir absorver todas as referências, ao menos ele vai se divertir com o tempo que gastou com minha história.

Sendo assim, tive muito cuidado para não "vomitar" no leitor toda essa argumentação de "homem que fracassou consigo mesmo".

O Caneco de 62 DESENHOS

O resultado final não seria uma revista impressa, mas mesmo assim o empenho e esforço nos desenhos não foram menores. No fim do dia, é o seu trabalho que está no ar e ele precisa ser apresentado com o mesmo capricho.

Ao invés de calcular tamanhos em cm, passei a calcular em pixels. A largura da "janela" onde a página aparece no site é de 960 pixels por 500 pixels, o que dá, mais ou menos, 33,8cm por 17,5 cm. Fiz todos os desenhos nesse tamanho, alguns no papel tradicional de quadrinhos outros em um papel canson de gramatura 300 (o que foi ótimo, o nanquin fica muito bem!)

O Caneco de 62
CORES

Há um pouco mais de um mês, assisti uma palestra com a designer americana Paula Scher, que falou algo sobre cores que achei muito interessante: ela não entendia porque muitos designers colocavam tons pasteis em vários trabalhos. Para ela, isso era indecisão.Um designer (ou um artista) deveria ESCOLHER sem medos suas cores e trabalhar o melhor delas.

Esse discurso com certeza me influenciou. Tentei ser o mais consciente possível nas minhas escolhas. Narrativamente, a cor teve um papel muito importante na história. Ela diferencia o momento atual do personagem dos fatos históricos e de suas memórias.

Posso dizer que escrever o Caneco de 62 foi uma experiência intensa, um tremendo aprendizado. Também escrevi e desenhei o Caneco de 2002, mas esse fica pra outro post!

Pra conferir o trabalho é só clicar aqui!
Os 5 Canecos

6.13.2010

70, 70 e 70 de novo

Quando criamos O Contínuo, em fins de 2004, minha grande intenção era desenhar histórias em quadrinhos.

Desde então, não desenhei nada. Uma página sequer. Com os talentos de Cimá, Olavito, Mathé e Bottino, nunca achei que O Contínuo precisaria de mim.

Mas aí, muitos anos depois, surgiu a Copa do Mundo da África e a ideia de fazer experimentos narrativos sobre as copas que o Brasil conquistara… Decidimos tocar o projeto 5 Canecos - em parceria com a Abril.com - e percebi que era uma boa chance de voltar a fazer esse negócio.

Depois de escrever os experimentos sobre 58 (O Uniforme Azul) e 94 (Sob o Escaldante Sol da Califórnia), decidi desenhar o tricampeonato.

Copa do México, 1970.



Primeiro estudo da cena "crássica" do Carlos Aberto com a Jules Rimet.

A primeira ideia para a história foi a partir da Lei de Gérson, termo criado em 1976 por conta de um polêmico comercial gravado pelo jogador para uma marca de cigarros onde ele afirmava gostar de levar vantagem em tudo. Toda a relação do governo Médici com a seleção, a demissão de João Saldanha, o “Pra frente, Brasil!”, o “Ame-o ou deixe-o”, todas essas informações me parecem inevitavelmente ligadas à façanha da seleção de Zagallo. Meus pais me ensinaram desde cedo que o futebol era o ópio do povo. Mas me ensinaram também a adorar o Corinthians e o futebol brasileiro.

Já entrei no jogo com o prazo me enforcando, com um monte de outros trampos tanto d’O Contínuo quanto do IVO 60 (meu grupo de teatro). Não deu outra: fechei tudo na última hora.

Bem, segui os conselhos do Daltones e mandei bala. Depois de fechar o roteiro mandei um esboção direto no photoshop, usando a mesinha mágica da Wacon (uma tablet que temos desde os primórdios d’O Contínuo).



Veraneio 70, só no traço, sem os cinza. Em geral azul, foi o veículo favorito da polícia política no Brasil..

Fotografei cada quadro (tive ajuda de um cara muito legal e bonito pra ser o modelo nesse trabalho: eu). Aí comecei um tal de revirar referências pra usar de fundo e textura e base das imagens. Foi imagem de veraneio, de torcida, do Carlos Alberto levantando a taça, de manifestação contra a ditadura militar, achei imagem de gente comemorando o tri em várias partes do país. Tudo pela internet. Até a lista dos desaparecidos políticos em 70 eu achei na rede (só tive que juntar dados de mais de uma fonte).



Fotomontagem pra um dos quadros.

Fiz um monte de estudos sobre cada quadro, mandei os tons de cinza de cada coisa, escolhi, juntei tudo num arquivo do InDesign e mandei pro Olavo, que deu um belo tapa com suas magias de texturas e cores.



O quadro com traço, cinzas base e detalhes.

O resultado ainda não é o ideal, eu sei, há muito o que aprender, mas agora que comecei (ou recomecei) não largo mão.

Vê lá e diz o que acha:

Os 5 Canecos

6.11.2010

Tabela da Copa

Finalmente, começou a Copa do Mundo 2010!

Estamos completamente imersos no clima de futebol, por isso colocamos para download tabelas da Copa, em versões colorida e preto e branco.

Escolha sua versão e depois é só imprimir!
ilustração e design de Olavo Costa
Aproveitando a deixa, não deixe de ler nossas mais novas historias, Os 5 Canecos, é só clicar aqui!

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