na catraca

8.16.2007

Lugar de gente feliz!

A única coisa realmente boa do capitalismo é que sempre é possível encontrar algo que quase resolva os seus problemas. Nunca é realmente o que você precisa, mas durante algum espaço de tempo tudo parece que vai ficar bem. É por isso que digo, sem pudor algum, que sempre que fico deprimido eu como no MC Donaldo. A alta taxa de açúcar, gordura e sal fariam um morto feliz. Aliás, a única pessoa que eu conheço que abomina o McDonald's é o Pedro Felicio. Mas ele é viciado em cigarros, que é em qualidade de material que o nosso organismo absorve quase tão ruim quanto o Big Tasty™ (isso sem falar na lendária ligação da indústria do tabaco com grande M. Ou seria da Coca? Bem... pelo menos cigarro é legalizado e eu não pretendo caluniar ninguém, então...). Motivo esse que me faz nunca estender a discussão.

Hoje, para mim, é um dia deprimente. Vou a praça de alimentação mais próxima, aproximo do balcão e peço sem culpa um delicioso Quarteirão® com Queijo™. Aí, é que as coisas se complicam. Eu queria apenas um pouco de queijo gordurento e carne (100%) bovina, mas na minha bandeja colocaram um jogo de dança. Mas porquê diabos eu iria querer dançar? E justo no meio da praça de alimentação? Fiquei consternado. Mas nada me preparou para o que viria a seguir.

Quando peguei meu sanduíche, para meu espanto, tinha um rapaz praticando escalada na embalagem. E a tal da congestão? O rapaz é imune? Sou apenas eu que após comer um suculento hamburguer fico cansado e cutucando o umbigo em frente a qualquer televisão? Me deprimi mais. Eu vou no lugar querendo engordar e eles querem me deixar mais magro? Comendo essa porcaria? Aí num dá...

Cheguei a conclusão estapafúrdia de que ninguém mais quer vender aquilo que vende. Querem vender outra coisa. É a era da vendificação. Tem mané vendendo cogumelo pra curar pereba. E eu que achava que cogumelo era uma pereba do mundo. Até o Pão de Açúcar que outrora fora um belo lugar do Rio de Janeiro é agora lugar de gente feliz. Toda vez que eu vou tem alguém indignado com o preço, mas me dizem que lá é lugar de gente feliz. Até o Arnaldo Antunes gosta do cheirinho de pão. Mas não é isso que vendem lá. Eles vendem coisa de supermercado só que mais caro. Vai ver que a diferença de preço é a tal da felicidade. Ou serviço. Ou vai ver que serviço é felicidade. Vai ver que o sujeito que faz o serviço vende a própria felicidade (porque ninguém é feliz no serviço) pra comprar a felidade alheia

Fiquei mais deprimido. E atento a esses meandros comecei a consumir a infelicidade dos outros. É mais barata. Um bom exemplo de consumo é o Bad Tattoos. Se isso não adiantar, talvez, caros amigos, seja hora de dar um basta nesta vida.

Talvez seja hora de começar a fumar.

T:Lemøs

Um comentário:

Laura disse...

Adorei.